sexta-feira, julho 10

FIB, Felicidade Interna Bruta



Butão é um pequeníssimo reinado hereditário nas encostas do Himalaia, estremido entre a China, a India e o Tibet. Não tem mais que dois milhões de habitantes, cuja maior cidade é a capital Timfú com cerca de cinquenta mil moradores. Dentro de poucos anos está ameaçado de quase desparecer caso os lagos do Himalaia que se estão enchendo pelo degelo transvasarem avassaladoramente. Governado por um rei e por um monge que possui quase a autoridade real, é considerado um dos menores e menos desenvolvidos paises do mundo. Contudo, é uma sociedade extremamente integrada, patriarcal e matriarcal simultaneamente, sendo que o membro mais influente se transforma em chefe de família.

Butão possui algo único no mundo e que todos os paises deveriam imitar: o "indice de felicidade interna bruta". Para o rei e o monge governante o que conta em primeiro lugar não é o Produto Interno Bruto medido por todas as riquezas materiais e serviços que um pais ostenta, mas a Felicidade Interna Bruta, resultado das políticas públicas, da boa governança, da equitativa distribuição da renda que resulta dos excedentes da agricultura de subsistência, da criação de animais, da extração vegetal e da venda de energia à India, da ausência de corrupção, da garantia geral de uma educação e saúde de qualidade, com estradas transitáveis nos vales férteis e nas altas montanhas, mas especialmente fruto das relações sociais de cooperação e de paz entre todos. Isso não chegou a evitar conflitos com o Nepal, mas não tem desviado o propósito humanístico do reinado. A economia que no mundo globalizado é o bezerro de ouro, comparece como um dos items no conjunto dos fatores a serem considerados.

Por detrás deste projeto político funciona uma imagem multimensional do ser humano. Supõe o ser humano como um nó de relações orientado em todas as direções, que possui sim fome de pão como todos os seres vivos mas principalmente é movido pela fome de comunicação, de convivência e de paz que não podem ser compradas no mercado ou na bolsa. Função de um governo é atender à vida da população na multiplicidade de suas dimensões. O seu fruto é a paz. Na iniqualável compreensão que a Carta da Terra elaborou da paz, esta "é a plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte"(IV,f).

A felicidade e a paz não são construidas pelas riquezas materiais e pelas parafernálias que nossa civilização materialista e pobre nos apresenta. No ser humano ela vê apenas o produtor e o consumidor. O resto não lhe interessa. Por isso temos tantos ricos desesperados, jovens de famílias abastadas se suicidando por não verem mais sentido na superabundância. A lei do sistema dominante é: quem não tem, quer ter, que tem, quer ter mais, quem tem mais diz: nunca é suficiente. Esquecemos que o que nos traz felicidade é o relacinamento humano, a amizade, o amor, a generosidade, a compaixão e o respeito, realidades que valem mas não têm preço. O dramático está em que esta civilização humanamente pobre está acabando com o Planeta no afã de ganhar mais quando o esforço seria o de viver em harmonia com a natureza e com os demais seres humanos.

Butão nos dá um belo exemplo desta possibilidade. Sábia foi a observação de um pobre de nossas comunidades que comentou: "Aquele homem é tão pobre mas tão pobre que tem apenas dinheiro". E era notoriamente infeliz.

Por Leonardo Boff, teólogo

quinta-feira, julho 9

Desabafo



"Estou velho.
Não gosto dos sem terra. Dizem que isto é ser reacionário,
mas não gosto de vê-los invadindo fazendas, parando estradas, ocupando linhas
de trens, quebrando repartições públicas, tentando parar o
lento progresso do Brasil.
Estou velho.

Não acredito em cotas para negros e índios. Dizem que sou racista.
Mas para mim racista é quem julga negros e índios incapazes de competir com os
brancos em pé de igualdade. Eu acho que a cor da
pele não pode servir de pretexto para discriminar, mas também não devia ser
fonte para privilégios imerecidos, provocando cenas ridículas de brancos
querendo se passar por negros.
Estou muito velho.

Não quero ouvir mais noticias de pessoas morrendo de
dengue. Tapo os ouvidos e fecho os olhos, mas continuo a ouvir e ver.
Não quero saber de crianças sendo arrastadas em carros por bandidos, ou de uma
menininha jogada pela janela em plena flor de idade. Ou de meninos esquartejaos
pelos pais por serem 'levados'...
Meu coração não tem mais força para sentir emoções. Me sinto mais
velho que o Oscar Niemeyer. Ele, velho como é, ainda acredita em comunismo,
coisa que deixou de existir.
Eu não acredito em nada.

Estou cansado de quererem me culpar por não ser pobre, por ter
casa, carro, e outros bens, todos adquiridos com honestidade, por ser amado por
minha mulher e filhos.
Nada mais me comove... Estou bem envelhecido.

E acabo de cometer mais um erro! Descobri que ainda sou
capaz de me comover e de me emocionar. O patriotismo de uma jovem de Joinville
usando a letra do Hino Nacional para mostrar o seu amor pelo Brasil me comoveu.

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Na cidade de Joinville houve um concurso de redação na rede
municipal de ensino. O título recomendado pela professora foi:
'Dai pão a quem tem fome'.

Incrível, mas o primeiro lugar foi conquistado por uma menina de apenas 14
anos de idade. E ela se inspirou exatamente na
letra de nosso Hino Nacional para redigir um texto, que demonstra que os
brasileiros verde amarelos precisam perceber o verdadeiro sentido de
patriotismo. Leiam o que escreveu essa jovem. É uma
demonstração pura de amor à Pátria e uma lição a tantos brasileiros que já não
sabem mais o que é este sentimento cívico:

"Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num
mapa-mundi, o nosso Brasil chorar:
- O que houve, meu Brasil brasileiro?
Perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e
verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas
amazônicas:
- Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo...
Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios
mais amores.
Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da
liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante.
Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?
Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e
glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra
adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam,
sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum
riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos
tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro
que o nosso país ostenta estrelado. Pensei... Conseguiremos
salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá a
grandeza que a Pátria nos traz?

Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma
criança dormindo em seu berço esplêndido."

sexta-feira, junho 26

Dez coisas, Luiz Fernando Verissimo


Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.


quarta-feira, abril 1

impontualidade do amor....


Você está sozinho.

Você e a torcida do Flamengo.

Em frente à tv, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone

tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho

em folha.

Trimmm!

É a sua mãe, quem mais poderia ser?

Amor nenhum faz chamadas por telepatia.

Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e

encontrar você numa fase "galinha", sem disposição para relacionamentos sérios.

Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar

você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras.

O amor dá meia-volta, volver.

Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans.

Agora que você está se achando bonito.

Agora que você está empregado.

Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou

a gostar de jazz.

Agora que você está com coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina.

Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga

e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você. Ou então, fica

arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá,

azarando-se uns aos outros.

Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa

locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a

pessoa que dará sentido à sua vida.

O amor é como tesourinha de unha, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste.

Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente

na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar

cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no

computador, dando o maior mole.

O amor está em todos os lugares, você que não o procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente.

Agora a segunda: mas é imprevisível.

Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos

namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês.

Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de

uma discussão, ou quando você menos esperar, e as flores vão chegar num

dia qualquer apenas para informar-lhe como você é especial para alguém,

assim... sem um motivo ou data especial.

Passe essa mensagem para outras pessoas. Pode ser que alguém esteja

precisando ouvir algo reconfortante ou mesmo para aqueles que já

encontraram o Amor, apenas para lembrá-los de valorizá-lo ainda mais.

Espalhe que o amor não é banal, que embora estejam distorcendo o sentido

verdadeiro dele nos tempos modernos de hoje, ele existe e é o ingrediente

mais importante da poção mágica da Felicidade.

terça-feira, março 24

Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre... E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim". Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena!!!"

quarta-feira, março 11


Head under water
And you tell me
To breathe easy for a while
The breathing gets harder
Even I know that
Made room for me
It's too soon to see
If I'm happy in your hands
I'm unusually hard to hold on to

Blank stares at blank pages
No easy way to say this
You mean well but you make this hard on me

I'm not gonna write you a love song
'Cause you ask for it
'Cause you need one
You see, I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or break in this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leavin'
I'm gonna need a better reason
To write you a love song
Today
Today...

I learned the hard way
That they all say
Things you wanna hear
My heavy heart sinks deep down under
You and your twisted words
Your help just hurts
You are not what I thought you were
Hello to high and dry

Convinced me to please you
Made me think that I need this too
I'm trying to let you hear me as I am
Promise me
You'll leave the light on
To help me see
With daylight, my guide, gone
'Cause I believe
There's a way
You can love me
Because I say

I won't write you a love song
'Cause you ask for it
'Cause you need one
You see, I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or break in this
Is that why you wanted a love song?
'Cause you asked for it
'Cause you need one
You see I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or break in this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If your heart is nowhere in it
I don't want it for a minute
Babe, I walk the seven seas
When I believe that there's a reason to write you a love song
Today...
Today...

terça-feira, março 10